Você já fez um sabático?

O  sabático é conhecido como o período (estipulado por um ano ou não) em que uma pessoa dá uma pausa em sua rotina, em seu trabalho – em sua vida, por assim dizer. A palavra sabático vem do shabbat de Deus, que descansou no sétimo dia e que recomenda, na bíblia, que após seis anos de trabalho deve-se dar o sétimo ano de descanso à terra. Os judeus costumam ter o shabbat semanal das 18h de sexta-feira às 18h do sábado.

O conceito “ano sabático” como interrupção da rotina de trabalho vem da Torá, o livro sagrado dos judeus, e está profundamente enraizado na cultura judaico-cristã, que é a base da civilização ocidental.

O ano sabático é muito difundido no hemisfério norte e adotado pelas universidades norte-americanas e européias e vem sendo apoiados e estimulados por algumas empresas para seus funcionários se renovarem profissionalmente.

Mas a graça do sabático acredito que seja maior e mais importante para a pessoa que o faz. Além de transformadora! Conheço algumas pessoas que já tiveram essa experiência e não voltaram iguais. Sempre retornam com muita energia, experiências novas pra contar, desenvolvem novas habilidades, conhecem lados seus que desconheciam, além de fazer muitos amigos e conhecer lugares maravilhosos!

Confesso que minha vontade de ter um sabático veio muito antes de saber o que ele era quando li o livro Depois Daquela Viagem, da Valéria Piassa Polizzi e esse desejo se reacendeu com Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert.

Venho pensando nos últimos tempos em fazer um sabático e diversos prós e contras vem à cabeça Apesar de ser uma fuga da vida de todo o dia, ou de muitas vezes ser colocado em momentos em que as coisas não estão bem ou mudanças muito grandes se apresentaram, é importante que o sabático  seja muito bem planejado. Afinal, não é de uma hora para outra que podemos simplesmente abandonar nosso emprego, nossa estabilidade financeira, nossa família, nossa casa, nossos animais de estimação e pegar a mala e ir! Mas que vontade que dá de sair  correndo!!

Agora o que será que estava me fazendo pensar em dar uma pausa de tudo isso? O tédio? A indecisão? As frustrações com as pessoas e as situações? O medo de ir atrás do que quero? Ou não saber muito bem o que eu quero? Será que botar uma mochila nas costas e sair mundo afora vai fazer com que todos os meus problemas se resolvam? Ou eles vão junto comigo na mala das culpas, arrependimentos, problemas mal resolvidos?

Acredito que o tempo sozinho ou longe de algumas coisas da nossa rotina possam nos fazer refletir sobre muitas coisas. Alguns dizem que pode  “substituir” uma boa psicoterapia, a meditação ou tantas outras formas de se conhecer e de lidar com as coisas. O que não significa que uma coisa não pode ajudar a outra, pois cada uma tem seus lugar. Mas esse distanciamento, essa sensação de “neutralidade” que nos proporciona em relação a nossa vida que ficou pra trás (será?) pode mesmo ser transformadora.

Continuo aqui pensando se um sabático seria interessante para mim neste momento ou se seria apenas uma “fuga geográfica” como já ouvi de diversos pacientes. Acredito sim que me proporcionaria muito aprendizado e a vontade de conhecer tudo o que há por aí permanece. Mas o caminho pra dentro de mim eu posso trilhar tanto aqui da minha casa quanto de qualquer outro lugar do mundo – o que não diminui a vontade de viajar!

Recomendo muito o Guia Fuja Por um Ano: mesmo que seu ano sabático dure 3 meses ou 3 anos, da editora Publifolha. Nele li histórias incrivéis de pessoas que fizeram sabáticos por diferentes motivos e de diversos modos e pude ficar com mais vontade de conhecer os lugares fantásticas que existem tanto no Brasil quanto no mundo. Tem dicas bem práticas e úteis pra quem quer se aventurar nessa jornada!

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