As lentes do preconceito

Vivemos em um mundo em que a perfeição é exigida a todo o momento. As mulheres querem ser magras, bonitas, jovens para sempre, além de bem sucedidas, excelentes mães e donas de casa. Os homens necessitam ter uma posição social e econômica de destaque, serem ótimos maridos, pais, serem seguros, autoconfiantes e bem relacionados. Mas existem pessoas que conseguem atingir todos esses pré-requisitos? Não será por essa exigência irreal que cada vez mais encontramos pessoas com baixa auto-estima, depressão, ansiedade e insegurança? Estamos vivendo em um mundo no qual as exigências sociais acabam por interferir negativamente na vida das pessoas.

Como será então para as pessoas com deficiência? Em um mundo em que o diferente não é bem visto o preconceito é quase inevitável. Estima-se que 14,5% da população brasileira tenha alguma deficiência. É um número altíssimo de pessoas que tem as mais variadas limitações nas áreas: intelectual, física, motora, visual ou auditiva e que apresentarão algumas dificuldades específicas para relacionarem-se no mundo, necessitando de apoios. Essas pessoas, por vezes, de forma mais aparente que outras, também não conseguirão atingir o padrão de perfeição socialmente esperado.

Necessitarão dos mais variados tipos de apoio, ou seja, de recursos e estratégias específicos para poderem desenvolver-se e ter acesso ao mundo nos meios educacional, laboral, social, físico e psicológico. Podem precisar de um método de comunicação alternativa, de cadeira de rodas para locomoverem-se, de instruções mais claras e precisas para relacionarem-se, de auxílio para realizar atividades do dia a dia, ou ainda de reabilitação e educação especial para estarem mais incluídos; mas, todos não precisamos de auxílio para sermos felizes e bem sucedidos?

O que nos faz tão diferentes das pessoas com deficiência? Não temos também as nossas limitações e deficiências? De um modo mais ou menos aparente todas as pessoas tem habilidades e dificuldades específicas, precisam adaptar-se e buscar recursos nas atividades para as quais tem mais dificuldade e formas de serem eficientes apesar das próprias limitações. Assim, todos precisamos de apoio!

As pessoas são únicas. Suas dificuldades e potencialidades também! Vamos tirar as lentes do preconceito para poder dar oportunidades de efetiva inclusão as pessoas com deficiências, afinal elas são acima de tudo pessoas, com dificuldades e potencialidades como todos nós.

 

Marcela Pereira Urbini
psicóloga
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2 Responses to As lentes do preconceito

  1. Iara Boccato says:

    Ma, adorei seu texto! Como sempre com muita sensibilidade!!
    Fique à vontade para escrever sempre com a gente!

    bjão

  2. Juliana Lauletta says:

    Muito bom o texto!!!!
    Sensível e trazendo uma questão muito importante que é a da semelhança nas diferenças.. hahaha
    Parabéns!!!
    Ficamos muito felizes com a sua participação e espero que vc continue com a gente sempre que tiver vontade!!! =)
    Beijos

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